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ontem me senti personagem de filme americano. daqueles em q os pais vão ver os filhos na apresentação de final de ano da escola. meu tempo tá chegando. Fiquei com frio na barriga de ver Estela subir no palco. mesmo frio na barriga de vê-la cair na piscina pela primeira vez. eu mesma, por mim, já nem sinto esse calafrio.
é a perpetuação da espécie.
fases, fases, fases...
deixei a vidente de lado. o astrólogo de lado. a psicóloga de lado. o personal trainer de lado. o livro do I Ching de lado (sem nem folheá-lo).
decidi procurar sozinha pelas respostas q buscava nessas pessoas.
dá uma canseira!
e fico querendo cartomantes novas, bioenergética, rituais pra mandar o ano velho embora, sal grosso pra limprar o corpo.
me sinto carente de crenças.
e talvez por isso meu instinto seja meio estranho, meio incerto, meio duvidoso. fica se amoitando qdo mais (acho) q preciso.
ao menos não estou gastando rios de dinheiro (ainda), mesmo q continue a comprar revistas como louca. ao menos estou registrando as coisas bobas. olho por relógio e enxergo a hora. procuro o número no celular com calma, sem deixá-lo passar por, simplesmente, apertar as teclas rápido demais.
tem manias difíceis de explicar. e de perder.
é, nunca me apaixonei. achava q tinha me apaixonado, mas não é verdade.
fiquei impressionada com a história da Edith Piaf. ela era apaixonadíssima por um homem casado, pugilista. se anulava por ele. se consumia por ele, como não se consumia por uma filha q tivera, anos antes, e q morrera de meningite ainda criança. qdo o tal pugilista morreu, num acidente, ela enlouqueceu. começou a sentir dores no corpo por causa da depressão. na época, ninguém sabia o q era depressão. então, ela se entupia de morfina. e se entupiu muito tempo, até ficar irremediavelmente viciada. aos 30 e poucos anos, parecia ter mais de 70. morreu jovem. e infeliz.
soube de tudo isso vendo um filme sobre ela. e outro filme q vi há pouco tempo, do Ethan Hawke, tb fala de paixão. além de falar de abandono e sofrimento. me comovi tb. mas me senti uma geladeira.
uma amiga disse q tem medo de se apaixonar. ela é muito passional. já se apaixonou várias vezes. já sofreu várias vezes. mas, de repente, vira pra mim e diz isso, q tem medo de se apaixonar.
talvez estejamos realmente ficando velhas. e céticas demais.
não sei se eu amo alguém. todo dia olho pra Gastão e digo q o amo. as palavras saem fáceis demais da boca. talvez eu diga pra me sentir segura, pra dizer pra mim mesma q eu amo alguém.
talvez. não sei.
durante um bom tempo, nos últimos dois anos, pensei q seria mais feliz separada do q casada. depois essa idéia sumiu, sei lá porque. hoje, não tenho certeza de nada.
e minha maior incerteza - e angústia - é não saber se um dia poderei mesmo amar alguém. enlouquecer. fazer qq coisa. chorar e ficar deprimida.
essas não são sensações boas, não são atitudes bacanas, eu sei. mas parece tão poético!
parece q pessoas assim são de verdade, vivas mesmo.
e q eu sou uma ilusão, uma máquina. uma geladeira, mesmo.
talvez eu q seja real. equilibrada.
mas não tenho certeza.
e não quero ser máquina.
o último mês do ano começou.
a última chance de consertar o q não funcionou.
e de tentar ser melhor, pra começar o ano novo na boa.
acho q vou entrar nessa nóia, só mais um pouquinho.
até voltei a escrever no blog antigo tb, pra falar das tentativas de ser uma mulher mais magra, mais saudável, mais bonita e mais feliz.
www.mairapramelhor.blogspot.com
e seja o q Destino quiser!
hoje volto a trabalhar somente tarde / noite.
graçassssss!
tava exausta de chegar cedo (tipo, 8h, 9h ou 10h) e sair tarde (tipo 17h, 18h, 20h...)
agora meu dia tb é meu, não somente do trabalho
ou das horas desperdiçadas esperando alguma coisa acontecer no trabalho.
comecei a desperdiçar horas em casa mesmo.
e até postei umas fotos da viagem pro Chile!
":)
eu vou inventar um ritual pra ser feliz.
um cheiro, uma bebida diferente, umas palavras marcantes, fitas e cores, talvez um pedaço de bolo de chocolate.
um trecho de livro? uma poesia?
fotos.
pra comparar pelos próximos anos.
rituais só têm graça qdo compartilhados.
preciso convencer as amigas.
sou jornalista, faço TV, mas não sei se gosto de aparecer.
em breve, estarei exposta como nunca.
mais do q na apresentação de um programa.
além da 'imparcialidade' q se espera dos q são da minha estirpe.
botei a cara no vídeo, botei a voz na narração.
me fiz quase de atriz.
interpretei meu papel,
na função de ser eu mesma - numa versão maquiada, pra esconder olheiras e espinhas.
tô feliz e tô com medo. cada vez q escuto minha voz, me frustro. cada vez q vejo meu andar. fico com raiva.
não sou atriz. pq topei me mostrar?
por acreditar q só eu poderia contar essa história?
por vaidade, de querer estar em todas as fases do projeto?
ou por pura falta de escolha.?
ou ia
ou ia...
ou esquecia.
em breve, vcs verão.
Artigo feminino
novo documentário da TV Câmara
estréia: 29 de dezembro, 22h30
estou com saudades do meu blog antigo. todo mundo acha q esse aqui é bonito, mas complicado, demora pra carregar, é chato pra deixar comentários. sei disso, mas confesso q me encantei com as cores e as fotos e as possibilidades de várias páginas... continuo assim, fascinada e vaidosa. mas confesso q pensei em voltar pro blogspot. começar o ano novo retomando uma coisa aintiga. ter um espacinho q muitas pessoas possam visitar.
estou com saudades de visitar as amigas virtuais quase todos os dias. preciso admitir q ganhei mais tempo, ao reduzir a obsessão pela internet e pelo blog. mas tb me sinto um tantinho mais sozinha. talvez eu possa voltar a navegar, encontrando um ponto mais equilibrado. talvez eu esteja pronta pra isso agora.
de repente, o equilíbrio não parece uma coisa tão difícil nem tão distante.
parece algo q posso construir aos poucos, em cada coisa, em cada decisão.
não preciso falar alto, não preciso chorar, não preciso me arrepender, não preciso correr, não preciso fazer 3.985 coisas ao mesmo tempo. não preciso competir comigo mesma.
em algum canto, tenho um lugar reservado pra mim. em algum momento, um tempo pra mim.
na verdade, em todos os lugares, a todo instante.
tudo pode ser meu - e pode ser bom - se eu quiser.
sabe q tenho me estressado menos com o trabalho.
e até com a empregada, menina!
hoje tive uma conversa séria. reclamei dos INSS atrasados, do desperdício, da moleza dela. disse q eu sou a dona da casa e q eu vou escolher a nova babá, q ficará no lugar dela enqto está de licença maternidade.
me senti tão bem! rédeas nas mãos.
Bem disse a Fabi:
"eu inspiro, eu me acalmo
eu expiro, eu sorrio"